6 previsões históricas que se realizaram

4 de Dezembro de 2019

Olhar para o passado para pensar no futuro, porque a História e os seus acontecimentos repetiram-se com uma certa frequência ao longo dos séculos. Assim sendo, os especialistas em política, economia ou engenharia conseguiram fazer previsões para o futuro. Alguns acertaram mais do que outros, mas, agora, já podemos olhar para trás e ver quais as previsões que se concretizaram e qual o seu grau de precisão. Algumas até nos causam um certo medo…

 

TESLA

  • WI-FI: O engenheiro e inventor austro-húngaro vivia obcecado pela eliminação dos cabos, e esta obsessão era tão intensa que Tesla passou grande parte da sua vida a tentar desenvolver a tecnologia que permitisse transmitir eletricidade sem fios. A sua genialidade levou-o a prever que, no futuro, seria possível fazer transmissões sem fios de sinais telefónicos, de música e de vídeos. Em 1997, o Wi-Fi foi lançado comercialmente pela primeira vez. Segundo reza um dos escritos deixados por Tesla, “apenas será necessário andar com um pequeno instrumento, pouco maior do que um relógio”. Será que ele também previu os smartwatches?

 

  • Controlo remoto: Fruto da sua obsessão, Tesla fez experiencias com um autómato controlado à distância e sem fios, e previu que este tipo de máquinas viria a ocupar um lugar importante na vida das pessoas. Terá previsto os drones?

 

 

 

VON BRAUN

O cientista Werhner Von Braun, que já tinha trabalhado para os nazis, desenvolvendo o Foguete V-2 e que foi posteriormente recrutado pelo Governo dos Estados Unidos, fez uma previsão que não se realizou… ainda! No seu livro “Project Mars”, publicado em 1953, Von Braun escreveu o seguinte:

“O Governo de Marte foi dirigido por dez homens, cujo líder, chamado Elon, foi eleito por sufrágio universal para mais cinco anos de mandato. Dois parlamentares promulgaram as leis que viriam a sr aplicadas por Elon e pelo seu executivo.”

É bastante premonitório que Von Braun refira alguém chamado Elon e Marte no mesmo contexto, visto que Elon Musk, o CEO de Space X e da marca Tesla, é quem lidera, neste momento e de uma forma privada, a possível chegada do Homem à Lua.

 

 

 

 

MORGAN ROBERTSON

Um grande e luxuoso transatlântico que, na sua viagem inaugural entre Nova Iorque e Southampton, choca com um icebergue e afunda. O paquete não leva salva-vidas suficientes para toda a tripulação e o acidente resulta numa tragédia… Apesar de estar parecer a história que todos conhecemos sobre o naufrágio do Titanic, não é… Este é o resumo do livro publicado 14 anos antes por Morgan Robertson e cujo título é “O Naufrágio do Titan”.

Além disso, este mesmo autor vaticinou no seu livro “Beyond the Spectrum” uma guerra entre os EUA e o Japão que começaria com um ataque surpresa dos asiáticos a bases norte-americanas… e fê-lo 27 anos de Pearl Harbor.

 

 

 

 

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL – IVÁN BLOCH

Iván Bloch era um poderoso banqueiro polaco e investidor ferroviário que também se dedicou ao estudo das guerras modernas. Em finais do século XIX, Bloch formou um grupo internacional de peritos para fazer previsões para o futuro, e os resultados foram verdadeiramente fascinantes. Este grupo de trabalho conseguiu prever quase com uma exatidão perfeita como seriam as guerras modernas em geral e a Primeira Guerra Mundial em particular. Mas, nessa altura, as guerras ainda se baseavam nas táticas napoleónicas e os exércitos ainda temiam as mudanças. No entanto, Bloch e o seu grupo previram com exatidão o aparecimento de armas automáticas, visores óticos, óculos para visão noturna, coletes à prova de bala e tantas outras tecnologias que viriam a ser utilizadas nas guerras modernas.

 

 

 

CARTÃO DE CRÉDITO

Foi um Banco que usou o termo “cartão de crédito” pela primeira vez? A resposta foi não. Foi noutro romance, desta vez escrito por Edward Bellamy em 1887. Nesta obra, é descrito como os cidadãos do ano 2000 utilizam um cartão de crédito emitido anualmente pelo Estado e que lhe permite adquirir os bens e serviços necessários. A quantia que figura é a parte proporcional do PIB de cada cidadão e os valores vão sendo descontados pouco a pouco do cartão. Uma previsão muito acertada em relação aos cartões que utilizamos hoje em dia, embora apresentem uma diferença radical: o dinheiro é privado e não é do Estado.

 

 

PREVISÕES EXCECIONAIS

Não é um título de um romance de ficção científica, mas uma realidade. No início do século XXI, o escritor de ciências políticas Philip Tetlock apercebeu-se de que as previsões que os peritos faziam estavam longe de serem acertadas na maioria dos casos e considerou que os “peregrinos” poderiam ser muito mais eficazes em conjunto sem precisarem de ter uma formação específica. E assim deu início a um estudo intitulado “The Good Judgement Project” (“O Projeto do Bom Discernimento”) que era constituído pela apresentação de várias perguntas a um grupo muito vasto de pessoas para que testemunhassem como achavam que seriam os acontecimentos políticos que viriam a ocorrer no futuro. Passados dois anos, Tetlock recolheu os resultados e isolou 2% dos inquiridos. Este grupo mais restrito era composto por aqueles que tinham acertado mais, pelo que o estudo continuou só com esta “elite”. Embora alguns deles obtivessem resultados melhores nos testes de inteligência, não era uma condição imprescindível para fazerem previsões, tal como não era o seu estatuto social ou formação académica, visto que o grupo era formado por pessoas de mundos diferentes. Os resultados foram esmagadores, visto que possuíam uma taxa de acerto muito elevada. Desde então, este grupo de pessoas é popularmente designado por grupo de videntes e é um dos fatores que se tem sempre em conta quando se trata de previsões para o futuro, uma vez que os acontecimentos históricos já se repetiram com alguma frequência ao longo dos tempos. Segundo Tetlock, nas suas declarações à BBC, “não se trata de um negócio de profecias, mas de um negócio de clarividência”.

 

Na série “UMA HISTÓRIA DO FUTURO”, 20 especialistas internacionais de renome analisam acontecimentos do passado para clarificar fenómenos actuais e antecipar as suas possíveis consequências. Tal como afirma um dos especialistas, “a história não se repete, mas rima”. Não perca a estreia exclusiva, quartas 11 e 18 as 22h15.

 

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