A histeria coletiva na história

17 de Junho de 2021

A histeria coletiva é um fenómeno psicológico que ocorre em vários membros de uma comunidade mais ou menos em simultâneo. Trata-se de um caso de ataque nervoso ou de ansiedade que afeta um grupo de pessoas. Este fenómeno é denominado por doença psicogénica de massas.

Normalmente começa com sintomas num indivíduo, que se vão replicando noutros indivíduos da mesma comunidade. Seja uma escola, uma fábrica, um bairro ou aldeias inteiras.

Na história existem exemplos notáveis deste fenómeno que, de uma forma ou de outra, mudaram a história. Um exemplo claro é a histeria em massa experienciada pelos habitantes da cidade de Salem (Massachusetts) no final do século XVII.

Ao longo da história acredita-se que diferentes causas podem levar certos grupos a sofrer de histeria em massa, tais como pressão e stress ou uma substância psicoativa que cresce em grãos de trigo, ergotamina.

Aqui estão alguns exemplos de histerias em massa que aconteceram na história:

 

A HISTERIA DA COCA-COLA

              No início de 1999, houve um caso notável de histeria em massa na Bélgica. O país tinha sofrido recentemente um problema de saúde pública causado por uma substância chamada dioxina. Este componente tóxico tinha penetrado na cadeia alimentar e os alimentos para animais ficaram contaminados. As autoridades tiveram de retirar todos os produtos lácteos e de carne originários da Bélgica de todas as lojas. Foi o maior problema de saúde alimentar da história do país.

Foi neste contexto que uma histeria em massa relacionada com a Coca-Cola eclodiu. Uma dúzia de crianças numa escola em Antuérpia começaram a apresentar sintomas de uma doença estomacal e ficaram doentes. Todos eles coincidiram na ingestão do mesmo produto, Coca-Cola. Ao mesmo tempo, todos eles relataram que a bebida tinha um cheiro estranho. Dada a situação que o país estava a atravessar, as autoridades decidiram proibir a venda de todas os refrigerantes desta marca. Outros países europeus aplicaram as mesmas restrições.

Parece que a situação stressante do país levou a que estes jovens mostrassem estes sintomas, mas eram sintomas sem qualquer causa real de doença. Um caso de histeria em massa. Depois do que aconteceu e uma vez confirmado que a bebida era completamente segura, a marca declarou que provavelmente o uso de outro tipo de dióxido de carbono utilizado para fazer a Coca-Cola produziu aquele cheiro diferente, mas sem qualquer impacto sobre a saúde.

 

EPIDEMIA DE DANÇA DA IDADE MÉDIA

              Na Europa do século XVI, e mais especificamente em Estrasburgo, registou-se um famoso caso de histeria em massa. Tudo começou quando em julho de 1518 uma mulher saiu à rua e começou a dançar, sem razão aparente. A mulher não parou de dançar e após vários dias mais pessoas começaram a juntar-se a ela. Após uma semana, mais de 100 pessoas estavam a dançar nas ruas e as autoridades começaram a agir. Ao contrário do que se poderia pensar, naquele momento acreditou-se que o melhor a fazer era que as pessoas afetadas continuassem a dançar a fim de se recuperarem. Foram contratados músicos e bailarinos e até foi construído um palco.

Após alguns dias alguns “bailarinos” começaram a morrer devido a insuficiência cardíaca e outros devido à exaustão.

 

Após vários meses, no final de agosto, as mais de 400 pessoas afetadas foram transferidas para um santuário de cura e no mês seguinte estava tudo acabado. A razão mais plausível pela qual esta histeria poderia ter surgido é a pressão a que os cidadãos estavam sujeitos por causa das condições de fome, doença e desespero.

 

AS BRUXAS DE SALEM

No ano foi 1692, a vida na América colonial não foi fácil. Os colonos que tinham vindo da Europa para a Nova Inglaterra levavam uma vida profundamente religiosa e dedicada ao trabalho agrícola. Os habitantes estavam sob profundo escrutínio pelas suas ações religiosas.

A certa altura, duas das filhas de Samuel Parris, que era pastor de Salem, começaram a manifestar sintomas estranhos como convulsões, febres, entre outros… A pessoa que servia na sua casa, Tituba, uma negra escravizada de Barbados, gostava de contar histórias e rituais de origem vudu às filhas do Reverendo Parris, originárias da sua terra.

Provavelmente influenciadas por estas histórias, começaram a manifestar sintomas de possessão voluntariamente como se de uma brincadeira se tratasse, apenas para fugir ao seu próprio controlo. Os sintomas começaram a ser replicados por outras raparigas e a espalhar-se. O médico local, não encontrando nenhuma razão física para tal manifestação, declarou o problema como sendo de natureza demoníaca. Para ele era um caso claro de possessão, mas na realidade era histeria em massa.

A casa onde ocorreu o primeiro caso.

No início, Tituba e duas outras mulheres foram acusadas de originar a possessão, e a criada, sob a pressão da tortura de Samuel Parris, assumiu-se como culpada. Ela acusou ainda outras duas de bruxaria. Este caso de acusação foi replicado por muitos outros habitantes de Salem, que, por disputas económicas, inveja ou outros motivos, começaram a acusar, sem qualquer fundamento, outras pessoas de bruxaria.

Após vários meses, mais de 200 pessoas tinham sido acusadas e 19 delas foram enforcadas.

Estes são apenas alguns exemplos dos numerosos casos de histeria em massa que ocorreram ao longo da história. Como exemplos, a epidemia do riso que ocorreu em Tanganyika (Tanzânia) em 1962, na qual centenas de crianças e adultos riam e choravam durante dias ou a conhecida Guerra dos Mundos, histeria causada pela falsa invasão extraterrestre que Orson Welles transmitiu na rádio em 1938 nos Estados Unidos.

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