A homossexualidade na cultura muçulmana

29 de Abril de 2021

Aqui estão alguns factos sobre a cultura muçulmana e a homossexualidade que talvez não conheça.

Durante o período denominado a “Idade de Ouro” do Islão, que foi do século VIII ao XIII, as relações homossexuais faziam parte da vida pública. Prova disso é a poesia homoerótica escrita por um dos poetas árabes clássicos, Abu Nuwas (765-814). A influência histórica deste poeta foi de tal forma significativa que até aparece no Livro das Mil e Uma Noites. Apesar de fazer parte da cultura islâmica há centenas de anos, em 2001 o ministro da cultura egípcio, sob pressão dos fundamentalistas islâmicos, queimou 6.000 volumes da sua poesia.

            Outro exemplo disso poderia ser o caso do sultão do Império Gaznávida, Mahmud de Gazni. Depois de se revoltar contra o seu irmão herdeiro do trono, Mahmud de Gazni governou de 997 a 1030. Ele era considerado uma figura exemplar e estava apaixonado por outro homem, Malik Ayaz, um dos seus escravos. O seu romance inspirou histórias e poemas.

Mahmud de Gazni (971-1030)

No século XVI, o imperador do Império Mughal na Índia, Babur, contou a sua atração por um jovem do bazar na sua autobiografia, Baburnama. No final do mundo medieval e renascentista muçulmano, o livro foi considerado uma obra prima.

Baburnama

Um pouco menos conhecido, é o caso de Dargah Quli Khan, um nobre do século XVIII do Deccan (Índia). Escreveu um guia para a cidade de Delhi intitulado The Delhi Album (Muraqqa-e-Delhi), onde contava as suas relações homossexuais na sociedade indo-islâmica. Na sua obra, Dargah descreve “jovens lindos dançavam por toda a parte, causando uma grave agitação”, e conta que havia prostitutas nos bazares a oferecerem os seus serviços.

 

Há mais bibliografia sobre eventos históricos contemporâneos relacionados à aceitação de pessoas pertencentes à comunidade LGTBIQ+, como os distúrbios de Stonewall ou a luta de Marsha P. Johnson. A homossexualidade está presente em todos os períodos da história humana, inclusive em culturas como a muçulmana.

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