Atletas que foram discriminados nos Jogos Olímpicos

31 de Agosto de 2021

Os Jogos Olímpicos são só por si uma instituição. O baluarte máximo do desporto em todos os seus aspetos. Onde todo o desportista profissional aspira chegar. Uma competição que começou na Grécia Antiga e que, após milhares de anos, ainda é o auge do desporto de elite.

Assim, pressupõe-se que esta competição seja também sinónimo de inclusão, diversidade, respeito e harmonia, mas em várias ocasiões tornou-se palco de casos de racismo, discriminação e marginalização.

É um pressuposto pensar que cada atleta que desempenha um papel relevante ou muito relevante nos Jogos Olímpicos é recebido como um herói no seu país. Representou uma nação inteira contra outras e conseguiu destacar-se dos demais atletas, mas não foi assim em alguns casos.

Em 1932, os Jogos Olímpicos foram realizados em Los Angeles, EUA, e os atletas negros tiveram muitos problemas devido à segregação racial que existia no país.

Outra referência neste contexto são os Jogos Olímpicos de Berlim de 1936. Estes foram muito especiais devido à situação que se atravessava no mundo. Na Alemanha, Hitler tinha subido ao poder e os nazis ocupavam as instituições e nos Estados Unidos havia uma profunda segregação racial entre brancos e negros.

Para Hitler, os Jogos Olímpicos foram o pretexto ideal para colocar uma Alemanha pluralista, inclusiva e aberta no palco internacional. Uma ferramenta de propaganda ao mais alto nível. A imprensa alemã recebeu ordens para publicar apenas notícias positivas sobre os atletas negros. Todos os cartazes antissemitas e graffiti foram removidos.

Durante a viagem dos Estados Unidos a Berlim, a delegação olímpica americana era composta por mais de 400 pessoas que viajavam no mesmo barco. Aos atletas negros foram atribuídas cabines diferentes das dos atletas brancos.

Alguns deles, como James LuValle, relataram que os negros não estavam autorizados a participar em certas atividades a bordo, tais como exibições de filmes, tendo sido expulsos das mesmas.

Estes são alguns dos casos de desportistas que foram discriminados nos 32º Jogos Olímpicos em LA ou nos 36º em Berlim:

 

JESSE OWENS (ATLETISMO)

 Todos falam de Jesse Owens como um herói que desafiou o nazismo e hoje em dia podem ler-se grandes manchetes sobre os seus feitos heroicos, mas ninguém fala do seu regresso aos Estados Unidos.

Owens, apesar da pressão da sociedade americana, quis participar nos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936. O mundo começou a tomar conhecimento dos planos antissemitas e racistas de Hitler e os americanos queriam boicotar os Jogos, mas no final Owens, juntamente com outros atletas negros, vieram provar que eles podiam vencer.

A sua participação ficou para a história, já que foi vencedor de quatro medalhas de ouro. A imagem de um homem negro a vencer no centro da Alemanha nazi foi um marco histórico.

Quando Owens regressou aos Estados Unidos, não recebeu o acolhimento que seria expectável e que merecia. O Presidente Roosevelt não organizou uma receção para o medalhista afro-americano porque dependia dos votos dos brancos do sul para a sua reeleição e tal cerimónia podia ser prejudicial para o seu apoio. Mais tarde, foi proibido de competir porque não viajou com o resto da equipa para a Europa para atividades promocionais.

Depois disso, teve de correr contra animais, como cavalos, para sobreviver.

 

JOHN BROOKS (SALTO EM COMPRIMENTO)

Em 1932 foi proibido de competir, apesar de se ter classificado. No seu lugar encontrava-se um atleta branco. Em 1936, Brooks participou nos Jogos Olímpicos de Berlim. O seu objetivo era desmentir Hitler e provar que as suas ideias sobre a raça estavam erradas.

Quando regressou aos Estados Unidos, não obteve reconhecimento social e sofreu discriminação na procura de um emprego.

 

LOUISE STOKES (ATLETISMO) E TIDYE ANNE PICKETT (ATLETISMO)

A participação destas duas atletas nos Jogos Olímpicos de 1932, em Los Angeles, foi muito importante. Os seus esforços para integrar a equipa olímpica dos EUA foram enormes. Durante o decorrer da competição, foram alvo de várias afrontas. A caminho de Los Angeles, sofreram incidentes com colegas de equipa que eram brancas e a treinadora substitui-as por outras atletas horas antes da competição.

Em 1936, foram aos Jogos Olímpicos de Berlim. Louis Stokes foi retirada da corrida de estafetas minutos antes da partida começar e nunca mais voltou a competir. Ela nunca teve oportunidade de provar o seu valor.

No final dos Jogos Olímpicos de Berlim em 1936, os Estados Unidos terminaram em primeiro lugar com 167 pontos, 83 ganhos pelos afro-americanos.

Ao regressarem a casa, os atletas americanos encontraram um país que lhes virou as costas e fechou os olhos a um feito que ia para além do desporto.

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