ESPIONAGEM: ESPIÕES E ESPIONADOS

6 de Outubro de 2021

A espionagem é a investigação, na sombra, que durante séculos influenciou as maiores situações sociopolíticas da humanidade. O mundo que hoje conhecemos seria o mesmo se não tivesse existido espionagem? A resposta, se não enfática, é praticamente óbvia: NÃO. Aqui temos alguns exemplos de casos de espionagem, espiões e espiados.

MARILYN MONROE

Dez anos depois de a atriz falecer, Verónica Hamel comprou a sua casa. Quando começou com as remodelações, ela descobriu um sistema de espionagem de uso exclusivo do FBI e CIA. Esta revelação não fez nada mais nada menos do que se não reabrir o debate sobre se Marilyn Monroe tinha ou não sido assassinada por alguém próximo do clã de Kennedy.

JULIAN ASSANGE

O caso do Wikileaks ainda tem muitas manchetes por desvendar, e o caso de espionagem em torno de Julian Assange é bastante atual. O juiz espanhol De La Mata interrogará o fundador de Wikileaks acerca da suposta espionagem que uma empresa espanhola realizou sobre os seus movimentos durante a sua estadia na embaixada do Equador e que, segundo algumas informações, foi entregue à CIA.

RICHARD NIXON

No dia 1 de março de 1974, a sociedade americana foi abalada por notícias políticas. Sete dos associados mais próximos do Presidente Republicano Richard Nixon, durante o seu primeiro mandato, foram acusados pelo seu envolvimento no caso Watergate. O escândalo tinha eclodido em finais de 1972, quando cinco alegados assaltantes foram presos no complexo watergate, sede dos escritórios do comité eleitoral do Partido Democrático. O trabalho de dois jornalistas do Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, descobriu que se tratava de facto de um caso de espionagem política e de conspiração para afundar a campanha democrática orquestrada a partir da comitiva presidencial. Entre os indicados a 1 de Março estava o antigo Procurador-Geral da primeira administração Nixon e o homem encarregue da sua campanha de reeleição, John Mitchell.

ANATOLI SHARANSKI

A 11 de fevereiro de 1986 deu-se uma iniciativa invulgar: na ponte Glienick de Berlim, teve lugar uma troca de espiões prisioneiros entre os blocos ocidental e soviético. Um dos libertados foi o ativista soviético dos direitos humanos Anatoli Sharanski, que tinha lutado para melhorar a situação dos judeus soviéticos que queriam emigrar para Israel desde 1973, quando ele próprio pediu uma licença de emigração e foi severamente reprimido. Em 1978, foi condenado a três anos de prisão e dez anos de trabalhos forçados por traição e espionagem. Após intensas campanhas mediáticas no Ocidente, o “descongelamento” da Guerra Fria, após a Gorbatchev chegar ao poder, levou à sua libertação. Desde então tem vivido em Israel, onde adotou o nome hebraico Nathan, e tem sido ativo politicamente e inclusivamente ministro em vários governos.

O CASO ROSENBERG

A 19 de junho de 1953, na prisão de Sing Sing (New York), pouco depois das oito da noite, o casal Julius e Ethel Rosenberg foi condenado à morte através da cadeira elétrica. Ambos foram acusados de conspiração por espionagem para a União Soviética num julgamento que começou em março de 1951. A sua detenção foi consequência das investigações do FBI sobre espionagem soviética em Los Alamos, New Mexico, durante as experiências que levaram ao desenvolvimento da bomba atómica na Segunda Guerra Mundial. O casal foi considerado culpado e condenado à morte, embora as provas fossem particularmente fracas no caso de Ethel. Durante os dois anos seguintes, o advogado de defesa, trabalhou incansavelmente para garantir um perdão aos seus clientes, mas foi em vão. O caso Rosenberg continua a ser hoje uma fonte controvérsia nos EUA.

ALFRED DREYFUS

Às 19:30 do dia 22 de dezembro de 1894, o tribunal permanente do governo militar parisiense leu publicamente o seu veredicto no julgamento do Estado-Maior General Francês Alfred Dreyfus por espionagem e alta traição. O arguido foi considerado culpado. Declarava-se assim que o acusado foi considerado culpado de ter fornecido ao Império Alemão, o maior inimigo da República Francesa no final do Século XIX, informações excecionalmente valiosas. Foi despromovido e deportado para a Prisão da Ilha do Diabo na Guiana Francesa. A onda de controvérsia e de protestos suscitada pelo caso abalou as fundações da sociedade francesa. Em 1906 provou-se que a condenação foi injusta e Dreyfus foi reabilitado.

MATA HARI

Mata Hari era uma bailarina holandesa e espiã da Primeira Guerra Mundial. Foi acusada pela França de espionagem para a Alemanha. A espiã mais famosa de todos os tempos nasceu em Leeuwarden, Holanda, a 7 de agosto de 1876. Morreu a 15 de outubro de 1917 perto de Paris, alvejada pelas autoridades francesas. Especializou-se em danças eróticas e, além de bailarina, tornou-se também uma das meretrizes mais procuradas do seu tempo. O nível de vida que ela atingiu diminui gradualmente. Muitos acreditam que, para a manter, ela teve de recorrer com mais frequência a fazer de meretriz. Os seus amantes incluíam homens poderosos da época, tais como ministros, soldados e homens de negócio. Em 1914, eclodiu a Primeira Guerra Mundial. Na altura, encontrava-se em Berlim. Aí terá conhecido o chefe espião alemão, Eugen Kraemer, que se ofereceu para transmitir informações sobre os franceses em troca de uma grande soma de dinheiro. Após o seu regresso a França a 13 de fevereiro de 1917, Mata Hari foi presa pelas autoridades francesas. Foi acusada de espionagem para os Alemães. A 15 de outubro de 1917 foi baleada em Vincennes, uma cidade perto de Paris, aos 41 anos de idade. Ninguém reclamou o corpo.

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