O tesouro da fragata La Mercedes: finalmente resgatado

23 de Julho de 2020

A 5 de outubro, tempo de paz, a Marinha Real Britânica utilizou os seus canhões para afundar a fragata espanhola “Nuestra Señora de las Mercedes”.

Este acontecimento quebrou o Tratado de Paz de Amiens celebrado entre Espanha, Reino Unido e França. O ataque provocou 275 mortes e afundou a fragata “mercedes” a 1.130 metros de profundidade. A fragata continha um grande carregamento de ouro, prata, cobre e diversos objetos de valor deixados no fundo do mar.

 

2007

A empresa Odyssey (caçadora de tesouros) acedeu ao local do naufrágio, localizado a 30 milhas náuticas do Cabo de Santa Maria, em Portugal, em águas internacionais. Levou consigo 600 mil moedas, mas deixou outros bens de valor incalculável, o segundo tesouro de “La Mercedes”.

O Estado espanhol decidiu confrontar a Odyssey nos tribunais americanos. O tribunal de recurso, em Atlanta, reconheceu Espanha como o proprietário dos destroços, forçando a empresa a devolver as 14 toneladas de material extraído em 2007, após a sentença ter sido ratificada por um tribunal em Washington.

 

2015

Oito anos após a expedição da Odyssey, e na sequência de um projeto organizado pelo Museu Nacional de Arqueologia Subaquática, várias instituições uniram forças para escavar cientificamente os destroços. A missão não foi fácil, devido à profundidade do naufrágio. Foi a primeira escavação submarina a mais de 1.100 metros de profundidade levada a cabo por um país europeu.

A expedição foi realizada na vertical de “La Mercedes” e analisou a sua situação utilizando o R.O.V. (Remote Operated Vehicle). Descobriram que os detritos estavam amplamente dispersos devido à escavação anterior da Odyssey e à explosão da batalha de 1804.

Foi feito um mapa arqueológico da localização do naufrágio, para além de outras medidas, a fim de saber exatamente onde se encontrava a fragata. Além disso, foram recuperados um total de 12 objetos. Entre eles, um canhão de 80 centímetros com algumas partes em ouro.

Depois desta expedição, em 2016 e 2017, foram feitas mais destas para tentar extrair mais material.

 

2016 e 2017

Em 2016, organizada novamente pelo Ministério da Educação, Cultura e Desporto, em colaboração com o Instituto Espanhol de Oceanografia e a Marinha Espanhola, uma expedição recuperou 34 objetos. Castiçais, garfos e colheres e outros objetos de valor incalculável. Estes foram levados para o Museu Nacional de Arqueologia Subaquática em condições de máxima segurança e conservação. Aí começaram os trabalhos de classificação e restauro.

Em agosto de 2017, foi realizada a última e mais importante das três expedições até à data. Dois dos objetos mais relevantes extraídos nesta campanha foram duas colubrinas, expressamente mencionadas no manifesto de carga da fragata “Mercedes” no Arquivo Geral das Índias em Sevilha.

A recuperação destas duas colubrinas foi particularmente delicada e exigiu maquinaria altamente especializada.

 

Depois do término da restauração e acondicionamento de todas as peças, prevê-se que em novembro sejam expostas no Museu Arqueológico Municipal de Cartagena. Esta coleção de peças históricas permitiu aos arqueólogos aprimorar os conhecimentos dos costumes do século XIX.

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