Os mandatos mais longos da história

16 de Janeiro de 2020

Cada país tem o seu próprio sistema de governo e as suas próprias leis, como a que dita os mandatos e a duração dos líderes. Na Roma antiga, um líder tinha um prazo máximo de seis meses para evitar o vício do poder.

Em países como os Estados Unidos da América cada mandato tem a duração de quatro anos, sendo o período máximo de oito no caso de vencer novamente as eleições. No entanto, noutros países, como Espanha, não existe legislação que limite a duração da mesma pessoa a governar o país.

Na Inglaterra, a Rainha Elizabeth II lidera o país há 67 anos, o que bate qualquer recorde de permanência no poder. A Rainha é a figura política mais importante e poderosa do seu país e além-fronteiras, já que alguns dos seus privilégios mais banais são o facto de não precisar de passaporte, nem registar os carros ou pagar impostos. Mesmo assim, a quantidade de benefícios que ela tem para a sua posição é desconhecida, sendo que alguns de domínio público referem-se ao facto de possuir todos os cetáceos que estão nas águas das suas propriedades.

Fidel Castro liderou Cuba durante 50 anos, nos quais o país passou a ser um estado socialista de carácter marxista-leninista. O seu partido, o Partido Comunista de Cuba, é o único aceite legalmente na ilha desde então. O governante liderou a revolução cubana de 1959, sendo esta a altura em que começou a governar a ilha. Durante os primeiros anos, expropriou todos os bens para estrangeiros, deixando-os sob o poder do seu partido. Foi um dos únicos regimes que sobreviveram à queda da União Soviética/URSS, o que deixou a ilha ancorada ao passado e alheia à passagem do tempo no resto do Mundo. Em 2008, quando a saúde de Fidel Castro estava muito deteriorada, este deixou a governação de Cuba para o irmão Raúl Castro, que governa a ilha desde então.

África é o continente onde os líderes permanecem mais tempo no poder: 40 anos. O primeiro da lista é Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, da Guiné Equatorial, que chegou ao poder após o golpe de estado de 1979. Embora tenham existido várias tentativas para derrubá-lo, continua a governar depois de se manter legalmente nas eleições presidenciais de 1989, a primeira no país. Desde então, tem vindo a ser sempre reeleito em 1989, 1996, 2002, 2004, 2009 e em 2016, todos com uma maioria absoluta esmagadora.

José Eduardo dos Santos também aderiu ao poder de Angola em 1979. Apesar das acusações da oposição à ilegalidade das eleições, esteve no poder durante 38 anos. Quando foi publicado um estudo que revelava a quantidade de dinheiro que o presidente de Angola possuía, a pressão para conseguir a cessação do poder aumentou, e havia quem o acusasse de corrupção. Após as guerras civis que o país viveu, o governante assumiu o controlo de várias empresas de recursos naturais, o que gerou benefícios bilionários. Após a Constituição de 2010, foi decidido que o presidente de Angola só poderia exercer o poder por um período máximo de cinco anos com a possibilidade de um segundo mandato. José Eduardo dos Santos cedeu o poder em 2017 a outro membro do seu partido, João Lourenço.

Francisco Franco, ditadura na Espanha de 1939 a 1975. Governou um total de 36 anos. Após a vitória do lado franquista na Guerra Civil Espanhola, Franco liquidou a República ao implantar uma nova ordem política e ao proclamar uma ditadura de comando pessoal. Um regime filo-fascista autoritário alinhado com os sistemas de Hitler e Mussolini, na Alemanha e na Itália. Esse sistema durou até à sua morte, em 20 de Novembro de 1975.

No Zimbábue, Robert Mugabe governou o país de 1987 a 2017: 30 anos. Era considerado o herói da independência do Zimbabué, mas com os anos e os escândalos, a sua figura estava estragada e a sombra da corrupção pairava sobre si. Em 2017, foi colocado em prisão domiciliar pelo exército durante o golpe liderado por Chiwenga. Nesse mesmo ano, foi demitido pelo seu partido, que o forçou a renunciar à presidência e a 30 anos de cargo.

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