Quatro coisas que não sabia sobre a história da espionagem

16 de Março de 2020

Quando se diz que a realidade supera a ficção é porque em muitas ocasiões tal acontece, e uma dessas tem a ver com a espionagem. Desta atividade resultam histórias misteriosas e cheias de incógnitas devido à própria razão da sua existência mas não é por isso que deixam de ser reais e praticamente incríveis, tal como é possível constatar na série SPY WARS, apresentada por Damian Lewis. Conheça de seguida algumas dessas histórias.

FELIPE II E A CNI DO SÉCULO XVI

Felipe II fue el monarca más poderoso de su tiempo. Felipe II foi o monarca mais poderoso do seu tempo. Não só pelo seu exército, nem pela sua riqueza, como também pelo seu excelente corpo de espiões. Até recentemente, esse facto não era considerado relevante, mas com o tempo descobriu-se que não era apenas importante, como também verdadeiramente crucial em muitos eventos importantes.

Felipe II criou o corpo de espionagem mais eficaz de toda a Europa, a fim de obter informações privilegiadas que permitiram que antecipasse os passos dos seus rivais. Essa informação é poder e já era um facto irrefutável para a monarquia espanhola, e o monarca a tornou uma das suas principais armas. O monarca investiu recursos económicos, humanos e materiais como nenhum outro monarca europeu. Dizem que Filipe II investiu nessa necessidade em seis meses, o mesmo que a Inglaterra investiu em seis anos. Recrutou e tornou pessoas comuns de todos os tipos em espiões e encarregou-se de todos os detalhes mínimos. Até para corrigir a decriptografia realizada por um especialista. O corpo de espionagem era extremamente importante para si e, por isso, tentou transmitir essa importância ao seu sucessor Felipe III.

ORWELL ERA ESPIA?

Os espias não só se dedicam a conseguir informação importante. Em muitas ocasiões os corpos de espionagem dedicam-se a criar essa informação interessante e a apresentá-la por conveniência. Enquanto George Orwell (cujo nome verdadeiro era Eric Blair) nunca trabalhou como espião, mas as suas obras foram postas ao serviço da CIA. Como? Enquanto formador de opinião.

O escritor publicou “Animal Farm” em 1945. Essa, juntamente com “1984”, é a obra mais reconhecida, mas a verdade é que no começo passou sem penalidade ou glória pelas livrarias inglesas. É uma sátira sobre a Revolução Russa e a corrupção no socialismo soviético.

Este argumento não passou despercebido pela CIA nos Estados Unidos da América, que se apercebeu do potencial da obra como uma propaganda anticomunista. Rapidamente expuseram a máquina de propaganda e financiaram o filme com base no trabalho. E deixando um orçamento muito confortável para tal. Primeiro, promoveram o trabalho literário com grandes campanhas para depois investir 300.000 dólares (americanos) na produção do filme. Tinham 80 animadores para criar todas as ilustrações necessárias e projectaram a peça nos Estados Unidos da América.

ESPIONAGEM E SEDUÇÃO

Classificada como a Operação Romeo, esta foi uma estratégia de espionagem desenvolvida por Herbert Hellenbroich, chefe do BND alemão (Serviço Federal de Inteligência). Foram utilizados espiões do sexo masculino como Cavalo de Tróia, através da sedução e do sexo, entrar em contacto com as secretárias dos mais altos cargos no Ocidente. Desta forma, tiveram acesso a informações restritas, sensíveis e, acima de tudo, cruciais. A partir desta operação, há histórias verdadeiramente surpreendentes. Como no caso de Margarethe Lubig, uma secretária do Ministério da Defesa que foi seduzida e capturada por um espião dinamarquês que se passava por jornalista. Mas, em mais uma reviravolta, não se tratava realmente de um espião dinamarquês, mas sim de um actor da RDA. O relacionamento durou 25 anos.

OPERAÇÃo ´GATINHO ACÚSTICO´

Esta história, ainda que não tenha muitos dramas, não deixa de ser surpreendente. Tudo aconteceu nos Estados Unidos da América, em 1961.

A CIA percebe que, durante uma reunião com um importante líder asiático e a equipa, a sala está cheia de gatos que passeiam livremente. A CIA conclui: converter os gatos que, passeiam livremente, em espiões.

Nessas instalações, é iniciada a operação Gatinho Acústico (em inglês: Acoustic Kitty), que consiste em implantar cirurgicamente um microfone no canal auditivo do felino e uma antena na cauda. Depois disso, o gato é treinado para obedecer às ordens. Para resolver o problema de distrair o gato que estava com fome, introduziram um dispositivo adicional que o anulava.

A operação foi realizada em 1966. A missão consistia em deixar o gato nas proximidades da embaixada soviética, onde dois espiões da URSS estavam e o aproximavam o máximo possível da conversa. Antes que o gato chegasse perto, foi atropelado por um táxi, desperdiçando 5 anos de trabalho e 15 milhões de dólares investidos. Depois do que aconteceu, a CIA anulou a operação alegando que: “os factores ambientais e de segurança que coincidem com o uso dessa técnica numa situação real obriga-nos a concluir que, para os nossos propósitos, isso não seria viável”.

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