Quem foi Marsha P. Johnson? A figura chave na luta dos direitos LGBT

23 de Julho de 2020

Marsha P. Johnson foi uma figura chave para que a comunidade LGBT começasse a adquirir direitos no início da década de 70. A letra “P” no seu nome representa a frase “pay it no mind”, que se tornou uma marca pessoal e deu nome a um documentário sobre a sua vida. Marsha tornou-se tão relevante nesta luta, que ficou conhecida como “a mãe da libertação gay”.

 

STONEWALL

Em 1970, num conhecido bar em Nova York, frequentado por indivíduos da comunidade LGBT, teve lugar um evento que mudou a forma como a sociedade (especialmente a americana) via as pessoas desta comunidade.

Marsha P. Johnson estava ligada à prostituição em Nova York e foi das primeiras drag queens a frequentar o bar Stonewall, uma vez que só eram permitidos homens homossexuais. Aquando dos primeiros acontecimentos, Marsha esteve presente e assumiu um papel ativo na defesa do local e dos diretos daqueles que o frequentavam. Na verdade, é considerada uma das ativistas mais importantes do duro confronto que teve lugar com a polícia.

Após os fortes distúrbios, Marsha organizou, juntamente com outros defensores, diversas manifestações a favor dos direitos da comunidade LGBT.

 

ATIVISMO

Juntamente com a ativista Sílvia Rivera, fundou a STAR: Street Transvestite Action Revolutionaries, que ainda existe nos dias de hoje. Esta associação estava encarregada de ajudar as mulheres trans e abrigava as mais indefesas e vulneráveis da comunidade LGBT. Conseguiram também erradicar algumas das leis homofóbicas que existiam na cidade.

A verdade é que tanto Marsha, como a sua associação e os ativistas que faziam parte desta, nem sempre receberam o apoio do resto da comunidade LGBT, uma vez que no início não aceitaram drag queens nem transgéneros.

Devido aos motins de Stonewall, receberam o apoio da comunidade hippie e dos indivíduos que lutaram contra a guerra do Vietnam. Estes participaram nos motins de Stonewall.

Já na década de 80 aderiu à associação ACT UP (AIDS Coalition for the Liberation of Power) dedicada à proteção dos direitos das pessoas que vivem com VIH/SIDA.

Em 1974, Andy Warhol fotografou-a na sua série de polaroids “Ladies and Gentlemen” que se centrava em drag queens.

 

MORTE

Em julho de 1992, pouco depois da marcha do Orgulho, o seu corpo foi encontrado no rio Hudson em Nova York. As autoridades consideraram-no um caso de suicídio e a família não teve oportunidade de ver o corpo. Alguns anos mais tarde, em 2012, a ativista dos direitos dos trangéneros Mariah Lopez realizou uma campanha para tentar esclarecer os contornos da morte de Marsha e polícia reabriu o caso como um possível homicídio, não havendo atualmente arguidos.

Contenido relacionado